Texto base: Mateus 18: 21: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Sete vezes?”

Nesta passagem bíblica, vemos o apóstolo Pedro, ainda numa visão parcial do amor de Deus em Cristo Jesus, perguntar ao Mestre com intuito de gerar uma prática legal a ser seguida.

Pedro queria saber quantas vezes deveria perdoar a quem lhe ofendera e julgando a paciência e amor de Jesus, apostou em sete vezes que na visão dele era um número altíssimo, pois que, a Lei de Moisés dava direito à vingança e a prática da falta de perdão dependendo do tamanho da ofensa.

Jesus, conhecendo este pensamento que não era só de Pedro, mas de todos os que o seguiam, respondeu com um número astronômico justamente para expressar que não há limites para o perdão.

Tanto é assim que logo após Ele contou a parábola do credor incompassivo que mesmo sendo perdoado de dívida impagável pelo seu senhor, não usou do mesmo perdão para com quem lhe devia.

Nós temos por base o perdão calculado pelo tamanho da ofensa e há mesmo em nossa visão ações que são imperdoáveis.

Deus, não avalia o perdão pelo tamanho da ofensa e não há para Ele, pecados imperdoáveis, pois que, até mesmo o nosso existir é fruto de seu perdão, pois a raça humana há muito desagrada a Deus e é só pela misericórdia Dele é que ainda não fomos consumidos.

Concluímos então que não importa o tamanho da ofensa que nosso irmão, marido, esposa, filho ou pai tenha cometido contra nós, o perdão é maior que toda a ofensa.

É difícil imaginar que alguém tenha forças para perdoar o outro que tenha lhe feito mal gratuito, mas é isso exatamente o que Deus quer de nós.

Olhe o exemplo que Deus dá ao profeta Oséias, Ele compara o povo de Israel como a uma prostituta que tirada de seus lamúrios de podridão, é levada a um lar, chamada de esposa, tratada como tal e até concebe filhos desta união.

No exemplo de Deus, a mulher depois de ter todos os benefícios do amor do marido, retorna aos seus amantes e se prostitui com eles julgando receber deles algum valor, sendo que estes não lhe faltavam na casa de seu esposo.

Ainda assim, Deus representado pelo esposo, diz: “falarei ao seu coração”, numa atitude de amor a quem não merecia e ainda promete bens e prazeres melhores do que aqueles que ela já tinha vivido com Ele.

Deus promete esquecer seus delitos, curar suas feridas, protege-la da guerra e das feras e ainda favorecer seus filhos por amor a ela. (Oseias 2:14 a 23)

Entendemos nesta parábola, que Deus não nos perdoa por causa de nós e sim por causa Dele, Ele é amor e perdão e a razão de não sermos consumidos com justiça por nossas transgressões é por que Ele perdoa.

O perdão que Deus quer que nós pratiquemos é este que Jesus disse a Pedro, sem limites, não porque o ofensor mereça, mas porque nós fomos perdoados por Deus quando não merecíamos e fomos perdoados para perdoar.

Quando você tiver dificuldades para perdoar alguém que lhe ofendeu, lembre-se que Jesus não teve esta dificuldade e mesmo o seu pecado sendo imperdoável, ele pagou por eles com a sua própria vida, o texto de Colossenses cap. 2 versos 13 e 14 declara que nós estávamos mortos por nossos delitos e pecados, mas Ele tomou nosso lugar e pagou a nossa dívida sem nenhuma ação de nossa parte, isto é perdão.

Não perdoe porque o ofensor merece, mas perdoe porque quando você não merecia, Deus te perdoou e se você foi perdoado quando não merecia, porque avaliar se seu ofensor merece perdão, agindo assim você estará como aquele credor incompassivo que mesmo perdoado de dívida bem mais alta, não perdoou quem pouco lhe devia.

 

Pr. Daniel Oliveira